A história gamística não nos deixa mentir. O que não nos falta são exemplos de diversos jogos que “sobreviveram” ao hype. Mas alguns infelizmente sucumbiram frente a tamanha expectativa, e ao serem lançados foram “mais do mesmo”, causando uma grande frustração aos fãs e aos que esperavam algo acima da média. Gears of War - “killer app” da Epic Games, em conjunto com a Microsoft Games Studio - foi lançado, jogado, re-jogado, avaliado, e com isso poderemos tirar a prova dos nove se ele correspondeu a tamanha expectativa, ou foi algo que apesar de tudo, morreu na praia. Não devemos nos esquecer que o jogo fora lançado no mesmo período em que o PLAYSTATION 3 (console da Sony) e Wii (console da Nintendo) foram postos no mercado.
Antes mesmo do lançamento do Xbox 360, e de toda a nova geração, a Epic Games liberava algumas imagens de seu novo motor gráfico, chamado de Unreal Engine 3, e essas imagens nos mostravam alguns monstros bem detalhados e cidades totalmente em ruínas, com uma riqueza de detalhes impressionante.
O tempo foi passando. Tivemos o lançamento do Xbox 360, e com isso a informação de que Gears of War sairia de forma exclusiva para o console da Microsoft. Inclusive reza a lenda que fora a própria Epic Games que recomendou que novo console da Microsoft tivesse “de cara” 512 Mb de memória RAM. Imagine o que viria pela frente...
Chegando na E3 de 2005, tivemos a apresentação do jogo feita pelo “leader designer” da Epic Games, o onipresente Cliff Bleszinski, em que ele demonstrava o jogo rodando no console. O game já impressionava - mesmo com falhas perceptíveis - arrancando aplausos e aguçando a vontade dos que esperavam por maiores informações.
Nesta mesma apresentação, Cliff B. já nos dera algumas dicas de qual seria a tônica do jogo (no quesito jogabilidade principalmente), ou seja, Gears of War fora projetado originalmente para ser um jogo “stop and pop”, e não “running and gun”, onde a utilização de partes do cenário para cobertura do personagem principal se faria necessário a todo momento. O vídeo terminava com um grande Locust quebrando uma parede, e Marcus correndo em busca de abrigo. Em entrevista a GTTV, Cliff explica um pouco mais do que apresentara na E3. Gearsof War é algo como “Band of Brothers” (premiada série sobre a Segunda Grande Guerra), só que com monstros. Em determinado momento do programa, a apresentadora pergunta se aquilo que ele mostrou é “pré renderizado”, e ele responde categoricamente que não, afirmando ser tudo em tempo real, rodando no hardware do Xbox 360. Cliff aproveita e encerra dizendo que essa foi uma E3 cheia de controvérsias, porque muitas coisas apresentadas foram simplesmente vídeos pré renderizados. Os entrevistadores perguntam “de quais vídeos ele está falando”; Cliff, ligeiramente desconcertado, diz que preferia não citar nomes, mas afirma que o que a Epic Games apresentou estava rodando nos kits de desenvolvimento do console. Bleszinski explica ainda o porque da escolha da “segunda pessoa”, afirmando que esse tipo de visão do personagem (OTS – Over the shoulder, ou seja, sobre os ombros) seria a melhor visão para a dramaticidade que GOW necessitaria. Após a E3, tivemos uma enxurrada de vídeos sobre o jogo e muita expectativa foi criada sobre o que seria Gears of War, e se ele realmente se tornaria “a próxima franquia de sucesso” da Microsoft. Além da E3 de 2005 e da TGS, tivemos também a feira exclusiva da Microsoft (X05), e nela foi apresentado um vídeo impressionante que demonstrava um veículo futurista andando em um cenário completamente encharcado pelo dilúvio que caia, brindando-nos com um incrível nível de detalhamento, e uma combinação “cenário molhado + efeitos de luz” de cair o queixo.
Em 2006, mais informações saem na mídia, e os primeiros vídeos do jogo em modo multiplayer são mostrados - ainda que em baixa qualidade - revelando que em nenhum momento temos queda de frame (algo comum em diversos jogos, que no modo single player rodam de uma forma, e no multiplayer de outra). Aumentando o hype, a Epic Games junto com a Microsoft, lançam através da MTV norte-americana um vídeo denominado: Gears of War – The race to E3. É um divertido “documentário” de meia hora, nos explicando o processo de desenvolvimento do jogo, dos contatos com os agentes da Microsoft, de como é difícil cumprir os prazos estabelecidos, etc. O final do vídeo é o dia da E3, com Cliff no palco demonstrado o jogo.
Nesse ínterim, a empresa contactada para divulgar o jogo cola nos metrôs de Nova Iorque imagens dos Locust saindo lá de dentro (afinal eles vêm debaixo da terra). Na E3, temos um belíssimo painel pintado pelo artista Kurt Wenner (http://www.kurtwenner.com/) , que ajuda ainda mais a atrair a atenção do público.
Em entrevista a Live Wire - o podcast do site americano IGN - o desenvolvedor Rod Fergusson conta um pouco mais do jogo que promete mostrar a todos o que as palavras NEXT GEN realmente querem dizer (notadamente se referindo a parte gráfica).Nesse programa é mostrada a cena em que Dominic Santiago abre a porta da cela para Marcus, e usa uma lanterna para “checar” o reflexo do Marcus (um pequeno tutorial dos controles do personagem), cena essa que foi retirada da versão final do jogo.
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